Quando eu Morrer



Quando eu morrer, se quiserem saber da minha vida

Digam que ao escrever poemas eu regurgitei

Tudo o que de ruim e doloroso recebi de heraa ao nascer.

O dia em que nasci foi o de deixar um outro mundo

E concebido nove meses antes de habitar a terra

Com a pior poluição do planeta, os chamados seres humanos.

 

Quando eu morrer, leiam meus poemas e me esqueçam

Eu fui muito mais o que escrevi do que eu mesmo

Cada lágrima, vagido, horror ou neura deixei em palavras

Minha mãe foi a solidão e meu pai foi um acordeom vermelho

A vida é só tristeza e eu nunca me coube direito em mim

Escrever foi a homeopatia que me salvou de ser hu mano.

 

Se eu quisesse a lua certamente me dariam o inferno

Se eu sonhasse castanhas assadas me dariam cianureto

Nas humilhações fui enfezado e isso mexeu com meus motores.

Capturei imagens, fugi no letral, habitei o mundo-sombra

Despossuí-me de mim para ser o sentidor, o louco varrido

A vida não me deu limões mas fiz limonadas de lágrimas.

 

Hoje eu olho tudo o que sou e tudo o que tenho como fruto

De mágoas, ojerizas, lamentos e decomposições do Eu de mim

E tenho medo, muito medo; um quase humano insatisfeito

Com meu destino trágico, as portas sensoriais abertas, e ainda

Os fantasmas que me nutriram e que se alimentam do meu ódio

E me parecendo com algum humano fujo dos cacos de espe lhos.

 

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Silas Correa Leite - E-mail: poesilas@terra.com.br

Site: www.itarare.com.br/silas.htm

Poema da Série "Lágrimas Secretas"


Porque Sou Professor

Para os Educadores da Coordenadoria do Butantã

Sou PROFESSOR porque...amo a vida, amo as pessoas, amo servir e trocar confeitos de sonhos e esperanças.
Sou PROFESSOR porque creio na fé, no conhecimento, e no saber que provoca mudanças essenciais para todos.
Sou PROFESSOR porque... o amor também move moinhos além de remover montanhas, e é pra frente que se anda, é para cima e para dentro que se evolui espiritualmente.
Sou PROFESSOR porque... pássaro que sabe que pode voar mais longe, tem que partir primeiro...
Sou PROFESSOR porque...acredito na distribuição do pão e da água, além da vontade de viver intensamente tecendo somas de vivências e iluminuras.
Sou PROFESSOR porque...confio na beleza da produção de conhecimento e da pesquisa em parceria dinâmica salutar.
Sou PROFESSOR porque...a alma da ciência é a perseverança e o dinamismo da dedicação uma missão como soma pelo viés plural-comunitário.
Sou PROFESSOR porque...a palavra é luz, o livro é estandarte e a troca de bagagens (Ave Paulo Freire) um elo de exortação à vida infinita que é uma eterna busca.
Sou PROFESSOR porque...a união vale o esforço, faz a força do grupo docente e discente irmanados; a união de propósitos em comum faz o acervo ético, e a amizade é uma escada para o alto, para a essência vital do divino amor cósmico.
Sou PROFESSOR porque...sempre me encontro comigo mesmo, a cada aula, cada situação-problema, e quando estou em sala de aula eu me sinto dentro do meu próprio coração.
Sou PROFESSOR porque...lecionar é uma lavra de humanismo de resultados, arados e a estrelas no mesmo canteiro sideral da espécie que é energia, calor e luz.
Sou PROFESSOR porque...dar aulas é oferecer a mão estendida, o ombro amigo, o afeto que se encerra num abraço terno à procura de uma boa mensagem sementeira para o futuro.
Sou PROFESSOR porque...a pedra bruta para se tornar diamante de valor precisa da estima, da lucidez e do fogo da forja que é primordial no caminho do estágio evolutivo seqüencial.
Sou PROFESSOR porque...a docência é missão, é dádiva, é semeadura de tantas estradas que vão dar muito além desse planeta geóide.
Sou PROFESSOR porque... de uma maravilhosa mestra me fiz poeta precoce, de uma educadora meiga me fiz Crusoé, de uma pedagoga diferenciada me fiz baladeiro a oxigenar seixos íntimos, sonhando - nos estudos, no livros, nas aulas - um lugar ao sol e o pote de ouro atrás do arco-íris.
Sou PROFESSOR porque...me respeito e gosto de fazer o que faço, amando para ser amado, me modificando (e moldando-me sempre para melhor) a cada dia, descobrindo sempre novos horizontes pelo olhar do aluno-filho, cada um deles com perspectiva especial de uma alma cidadã.
Sou PROFESSOR porque...faço parte da orquestra dos sensíveis, e me dou, livro aberto, para a biblioteca universal dos dias que são páginas de rostos de seres puros buscando apreendências e letramentos...

Sou PROFESSOR porque...ensinar é levar o aluno enquanto ser e enquanto humanus, para uma viagem ao reino encantado da palavra, do saber e até do conhecimento científico.
Sou PROFESSOR porque...como diz o poeta, o aluno é como a madeira, se for devidamente "tocado" - INSPIRADO! - pode tornar-se flauta.

Sou PROFESSOR porque...minha maior rebeldia é querer mudar o mundo pra melhor, plantando ideais nos corações e mentes de meus canteiros cíclicos que, certamente levarão minha mensagem de amor e fé para o futuro da espécie, uma vida melhor, mais justa.

E, por fim, sou Professor porque assim sou feliz, pareço feliz, semeio sentidos de grandes buscas, com parcerias e vivências de inclusões, e sei que, com certeza, há muito mais luz no processo do ensino-aprendizagem do que no átomo. E sei também que o aluno é uma árvore que tem que ser bem cuidada, bem regada, bem preparada, solidificada com carinho, bem adubada até, para, serenamente crescer e dar flores e frutos. E assim sei da responsabilidade que, com meu trabalho, tenho com a sociedade, com a vida, com o mundo, por isso mesmo espero ser um dia um belo fruto na seara desses alunos que amo tanto.

Poeta Prof. Silas Corrêa Leite – EMEF José Alcântara Machado Filho – AR/BT

Especialista em Educação, Jornalista Comunitário, Escritor Premiado em Verso e Prosa

Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Editora Design-SC
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm


 

Medalha de Lágrimas

 Ao Judoca Eduardo Santos

  

A olimpíada é uma concentração

De medalhas, que são de vis metais

O orgulho, o suor e o sangue

Formam o ser muito antes e além da vitória

 

Porque a vitória é no interior

E no caráter, concorrer é sempre

O pódium pode ser a vida inteira

Você vencendo batalhas, sobrevivendo...

 

Alguns minutos de fama

Na são mais importante do que você

A sua fibra, a sua determinação

Independem da vitória na olimpíada

 

Mas você nos deu outra medalha

De lágrimas - que vale muito mais

Do que o ouro, a prata o bronze

Você está muito além dos vis metais

 

Suas lágrimas formam a bandeira

São sua vida: como a sua marca

 

Porque lutar é sempre e a vida

Constrói heróis, além das lágrimas

 

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Silas Correa Leite -E-mail: poesilas@terra.com.br


Voe de Volta para Mim 

 

 

-Se por acaso eu magoar você, e você precisar ir embora um pouquinho, só para descansar um tantinho de minhas tristezas, não demore muito, retorne na primeira aurora, por favor, Voe de volta para mim!

 

-Energias contrárias se chocam mesmo, não sou muito fácil de lidar. Tenho saudades, nódoas, amarguras, infelicidades e ressentimentos no coração partido. Por favor, tenha paciência comigo...

 

-Se por acaso você quiser ir passear no seu ninhal, ver poentes, os verdes campos de sua terra, não me esqueça nunca, quando a saudade bater, Voe de volta pra mim!

 

-À vezes temos que dar um tempo pra nós, sair passear, ouvir estrelas, curtir flores e auroras, para que nosso espírito respire luz limpa. Eu compreendo você...``

 

-Quando eu estiver chato, resmunguento e reclamão, não me deixe muito tempo sozinho, só vá arejar a cabeça um pouco por aí, mas quando tudo passar, Voe de volta pra mim!

 

-A sua asa é tudo o que tenho. Sem você, me restaa solidão de um quarto escuro, uma angústia na parede da memória, e  então os lastros que estou perdendo vivendo com você, para, num futuro distante adquirir angelicais técnicas de vôo, todas essas experiências e aprendizados evolutivos se perderão, terão sido em vão, terão sido inúteis...

 

-Quando você quiser ir passear na Terra do Nunca, dar um tempo pra nós, esperar serenar os ânimos exaltados, por favor, não me deixe muito tempo sozinho, Voe de volta pra mim!

 

-Sei que você terá que usar de sua santa paciência, sei que você tem que recarregar sua bateria, sei que eu desgasto muito qualquer relação ou vivência, mas eu sou assim, um rio parado em margens o que oprimem...

 

-Nem sempre estamos bem. Um dia não é como outro. Num dia chove, num outro o sol brilha intensamente, portanto, se eu estiver fechado, amargo ou meio pegajento de amargura, por favor, não se distancie muito, quando meu coração chamar o nosso código secreto, por favor, Voe de volta pra mim!

 

-Tem dias que eu acordo diferente. Tem dia que todas as sofrências voltam como um tambor socando memórias. Tem dias que sinto que tudo está perdido, mas, tenho a sua asa, o seu amparo, o seu mimo, e é isso o que me mantém vivo...

 

-Nem sempre somos os mesmos todos os dias, a cada dia temos um novo olhar sobre todas as coisas, os momentos e as pessoas, por isso, se você precisar sair tomar sol um dia qualquer, por favor, não me abandone nunca, não me deixe para sempre, Voe de volta pra mim!

 

-Não quero magoar você, quando coloco minhas neuras pra fora. Não quero que você vá embora, quando meu lamento sai duro de dentro mim. Não quero que você veja minhas palavras como pedras. Eu só estou tentando me limpar, mas não sei lidar direito com isso tudo, para ser ainda mais seu, para sempre...

 

-Sabe, não sou muito doce. Mas estou tentando mudar. Você me melhorou muito. O pouco de terno que sou, de prazer que tenho, foi por você existir na minha vida. Eu renasci no dia que você entrou no meu coração, como um sol num quarto escuro. Por favor, não me deixe só, Voe de volta pra mim!

 

-Sem você eu não viverei muito. Sem você eu estarei perdido. O galo já cantou muitas vezes, tive várias vezes as chamadas tentativas de abismo, mas, a sua luz clareou meu caminho, e eu venci a dor, eu venci à mim mesmo, eu venho sobrevivendo página após página de cada dia, mas não está fácil...

 

-Sabe, você me completa como arroz e feijão, como Romeu e Julieta. Sem você tudo seria um deserto pra mim. Você colocou um lirial na minha alma de poeta. Quando você quiser fazer um vôo panorâmico para esquecer minhas amarguras que podem contagiar situações indevidas, por favor, dê um tempo, mas, depois, Voe de volta pra mim!

 

-Sem você eu não sou nada. Procure compreender isso. Não me deixe nunca mais. Apenas, tenha paciência, vou procurar  mudar, vou traduzir meu choro em poemas, por favor, não me abandone agora que estou passando uma situação muito difícil...

 

-Meu anjo-da-guarda, VOE DE VOLTA PRA MIM!

 

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Resenha Crítica:

Livro “Contos da Cavalgada” de Gustavo Ferreira Correa

Dizer a última palavra, mesmo sem despedir-me

Thereza Christina Rocque da Mota

Quando tenho em mãos um novo livro para ler, fico contente pela perspectiva de um novo enlevo literário, até porque, em tese, estaremos entrando na alma-água do autor/criador, com as suas pontuações íntimas, suas pontes letrais, suas correntezas que, até, no muito além de si ramificam para uma janela da vida (uma janela para o alto), abrindo, portanto, páginas de rosto com o tempero da paleta silencial a descrever rumos e prosopopéias. Quando recebo o livro de um conterrâneo de Itararé, minha terra-mãe, fico ainda mais alumbrado, sondando o devir naquela obra de estréia de uma nova andorinha sem breque, a botar para fora causos e acontecências, falas típicas e construções, e aí fico me preparando para a doce emoção do forfé que é ler com contenteza e prazeirança nativa, por assim dizer. Fanático por Itararé é isso. E Itararé tem dessas coisas mesmo: produz e consome cultura própria. De pinturas e marchas-rancho de carnaval, de poemas a baladas rueiras, de pedagogos a juristas, de ficções a histórias que o povo conta, de romances a memórias e muito humor no atacado. E quem conta causo de dia ganha rabo de cotia, diz a crendice popular. Com o livro “Contos da Cavalgada” do Professor e Escritor Gustavo Ferreira Correa não poderia ser diferente. Já pensou? Escrever é sim, dar testemunho, talvez pôr a alma no cuorador das idéias recorrentes, recompor situações e conflitos, mas, antes de tudo, escrever é mostrar um novo olhar sobre a vida, essa dura vida de perdas e ganhos, de ausências e curtumes. Ai as aquarelas da vida, os calvários da vida!. Pois “Contos da Cavalgada” é isso: o pé na terra - caminhaduras e romarias, suas sabenças e alegranças. O autor tomando o leitor pela mão, levando-o a cavalgar tópicos frasais, diálogos, causos dentro da história, por aí: a viagem dentro da obra, o imaginário sensível provocado. Tudo numa narrativa gostosa a fluir fácil, serena, como se você mesmo estivesse ali, de verdade, inteirinho e entregue dentro das contações ao pé do fogo, lustre-luar de Itararé, toldo estrelado do céu jade de nosso rincão amado, beira de rio, entre a bulha da saparia, ouvindo Gustavo Ferreira Correa lastrando-se de mente e cuia e lábia e mãos. E alta criatividade, claro. Gustavo escreve bem e bonito. E com uma simplicidade preciosa, muito bem norteada naturalmente de uma singela pureza essencial. E o essencial é invisível aos olhos, disse o poeta. Há olhos de ver e olhos de sentir. E escrever encerra um mundo no Ser por inteiro. Gustavo deve ser um ótimo professor de literatura. É um ótimo escritor muito além até de sua já notória postura algo zen. Enquanto o leio, leio entrelinhas,  e vejo

(leio) - sinto-o – depondo, não só num saudosismo-saudade, mas um refazer a vida pelo seu prisma de artista sensível que é. Historiar implica que o criador assuma risco de expor-se, entre idéias, sentimentos, olhares especiais, purgações íntimas, acerca do entorno do próprio projeto-livro.

Foi assim com Sócrates, Galileu, Jean-Paul Sarte, Freud, Jorge Luis Borges e outros.  A palavra “história” de origem grega quer dizer exatamente “investigação”, “informação”. Com o depuro técnico-narrativo de Gustavo, vê-se aí (lê-se aí) a escrita se apresentando madura, segura de si, lógico-sequencial a costurar elos, entrelaçar o conjunto do livro que diz de contos, mas, romanceia entrecontos. E os causos vão pontuando as partes, seguros, personalizados, hilários às vezes, entre mitos e crendices, interessantes, cativadores. Gustavo conhece do oficio e se acrescenta.

Escrever corresponde ao impulso do espírito humano para enlivrar-se, livrando-se de algo que seu ser pontua (e despoja), necessitando de visão social para configurar pari-passu o livro enquanto obra literária de norma culta. Ao escrever e resgatar causos, como um ouvidor de um tempo chamado longe, Gustavo Ferreira Corrêa ilumina as contações; feito um lampião aladim da mágica mão, nas andanças pelo palavreado todo. Os personagens vão se delineando nas amarras construídas com esmero, a estrada da caminhação se abre e filtra paragens, e as mentes acompanham as leituras, quando então vamos juntos com o autor entre os devotos e os fantasmas. Uma precisão embonitada a de retratar como se em sépia os seres reais, histórias que se aglutinam e os desfechos que falam da vida sábia do povo. Contos da Cavalgada é isso: mais um trabalho de quilate para a BRITA-Biblioteca Real de Itararé. E Gustavo pelo jeito não vai ficar só nisso. Sorte nossa. Não é todo dia que se lê a alma pura de um povo interiorano num livro com perfeita sintonia letral. Captar o sentido essencial da prosa, pondo sensibilidade no observar/ouvir. Estilo límpido, cristalino, esse é o estilo de Gustavo.

Gustavo escreve como quem “alembra” a vida (alumbra?) na sua pureza mais simples (antiga e verdadeira?); a tez chã dos caminhos, gente errante e maravilhosa na esperança com medos, peregrinações. Alumbramentos. A evocação do passado feito o “trazer-de-volta”, não é apenas o saudosismo, mas uma re-celebração de um “outro tempo”, de um espaço geográfico, de um povo, de um lugar; mítico e primordial, exterior à nossa temporalidade. Isso quer dizer alguma coisa?  Itararé é resgatada, a história se recupera, e temos nas mãos o lastro-lavra de uma religiosidade naquilo que recompõe, com reflexos, acentos sociais e humanos, trajetos e perspectivas. O pensamento vê o mundo melhor do que os olhos, disse Bartolomeu Campos de Queirós. É como se Gustavo Correa dissesse para alguém (no tácito que se compreende?) – mistérios, sonhos, aparições; a distância de uma amizade mal amalgamada?) – tipo

“Estou aqui te continuando...estou aqui vivo/E estás vivo em mim...a vida (como ela é, afinal, dura e triste, amarga...) não terminou na tua história...” Continuo-a aqui, nas minhas singelas contações...

Um livro, como páginas de rosto (páginas da vida), levando a gente para cavalgar visões e estrelamentos. Moendas?

Escrever é permanecer em vigília. Sim, irmãos, em vigília por aqueles que nos deixaram...mas, ninguém, nunca, tirará quem amamos para sempre de nós.

Escrever e criar é uma forma de dar testemunho de resistência, sensibilidade e luta. Escrever é dar voz e sentido aos vestígios de ausências. A escrita afaga a alma de quem cria, recriando o próprio mundo interior.

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BOX:

Contos da Cavalgada

Mistérios, Sonhos e Aparições

Edição do Autor/Diagramação e Impressão Tipografia Itararé, Ano 2006 Gustavo Ferreira Corrêa Professor da Rede Pública de Ensino, Itararé-SP E-mail do autor: gfcferreira@bol.com.br www.contosdacavalgada.blogspot.com

 

Escolha aqui um pouco da criação, entrevista e poemas do nosso Poetinha Silas

As Praias Verdes do Sul

                                               Para Vana e Renato (Bombas-SC)

Escrevo/Para amar

e ser amado

(Santo Agostinho)

Ainda trago comigo

O mar verde de Bombas

Uma cidade como uma aldeia portuguesa

Em praias de Santa Catarina

E uma pousada com enorme portão amarelo

 

Ainda trago comigo

Os caminhos cheios de açúcar

E eu ali como uma formiga cervejóloga

Fugindo do inferno urbano

Para dentro do coração de amigos artistas

 

Ainda trago comigo

A conversa gauche de Vana

E seus bolinhos de macadames caseiros

Mais o seu sorriso avelã

E o milagre da multiplicação de vodka

 

Ainda trago comigo

Os papos, os sonhos, a paz

De uma pousada que parece um estúdio

Onde pendurei meu coração

Como a esperar o pincel da saudade

 

Ainda trago comigo

As contações de Renato

Dizendo das utopias e das guerrilhas

Onde eu aprendi o que é real

O capital, o trabalho, a resistência

 

Ainda trago comigo

As noites sob uma varanda

Um gato rueiro, o churrasco, a cigarra

Amigos trocando sonhos

Figurinhas carimbadas de um tempo

 

Ainda trago comigo

Esse refúgio que alimentou

Minha tristice com esperanças limpas

E o mar verde em minha alma

Na ternura náutica de uma âncora de luz

 

 

Ainda trago comigo

E sei que um dia voltarei

Eu e a minha musa-vítima Rosangela

Para o mar verde de Bombas

Para a “Pousada Bucaneiro” de Vana

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Silas Corrêa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm

E-book ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site

www.hotbook.com.br/rom01scl.htm

Conheça a Pousada Refúgio Bucaneiro da Poeta e Pintora Vana Comissoli em Bombas, SC, entrando no site

www.comissoli.com.br/bucaneiro /Fone: (47) 3393-6835 ou (48) 9924-4107 / E-mail: comissoli@terra.com.br


Silas Correa Leite é autor de um vasto material ainda inédito, de romances a trabalhos sobre a Prática Educacional Vivenciada, poesia para jovens, coletânea de contos de realismo fantástico e outros, ele conta, com a eloquência que lhe é peculiar, que pensa em traduzir seus trabalhos e tentar lançá-los no exterior, como fez com sucesso Ignácio de Loyola Brandão. Mas, sua versatilidade não pára por aí. " Componho rocks, alas & blues, tenho pesquisas sobre Ética e Cidadania da Comunidade Carente e trabalhos para o público infanto-juvenil". Silas é membro da UBE-União Brasileira de Escritores. " Sou uma espécie de " plantador de sonhos", um "inventor do inexistente", eterno aprendiz da alma humana, sonhando um neosocialismo de resultados.  " Escrevo para não ficar louco, ou melhor, para livrar-me do que crio, feito um "Sentidor", para citar Clarice Lispector. A poesia que produzo é a oxigenação da minha alma", ele diz.. Ele se define como " um Rimbaud pós-moderno (antena da época) que não acredita em sonho que não seja libertação, e registra para o futuro esses tempos tenebrosos de primatas globalizando a miséria absoluta e a violência sem fronteira, num país continental de muito ouro e pouco pão. Acredito, também, que só a mulher pode mudar o mundo. Como nem sempre elas captam funcionalmente isso, prefiro escrever meu despojo insano para dar meu testemunho nessa difícil lição da viagem de Existir".
Silas colabora com diversos Suplementos Culturais, jornais, revistas e tablóides, com artigos, resenhas críticas, poemas, microcontos, trabalhos sobre "teens", Educação, Política, Terceira Idade, Ética e outros temas. Dentro do Mapa Cultural Paulista (Secretaria de Estado de Governo), foi escolhido por dois anos, representando Itararé, como um dos dez melhores contistas do Estado São Paulo.

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