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História de Itararé
Denominação: Campos de São Pedro.
Itararé situa-se nos Campos de São Pedro, espaço compreendido
entre o rio Verde e o rio Itararé. "Os Campos de São Pedro,
nos sertões da Província de São Paulo, marcam o começo dos Campos
Gerais do Brasil até as regiões sulinas (geográficamente até Ponta
Grossa, no Estado do Paraná". Eram parte do caminho para "Villa
de Curitiba" (então Quinta comarca de São Paulo) emancipada
em 1854, quando se tornou Província do Paraná. "Era um caminho
do sul que começou a ser feito em 1636". (Aluísio Almeida –
A história de Sorocaba)1629/1630
Os Campos de S. Pedro já eram conhecidos dos bandeirantes e dos
predadores de índios dos lados do Tibagi e regiões vizinhas. Aluísio
Almeida em seu livro "História de Sorocaba" refere-se
aos bandeirantes paulistas e paraíbanos que passaram por este caminho
para chegar ás reduções jesuíticas de Santo Inácio e Loreto, após
a destruição da redução jesuítica do Guaíra (1629/1630). Em 1661
Fernão Dias Paes atravessou o rio em frente à gruta seguindo para
a serra de Apucarana, em busca da prata, farta no Paraguai ou de
apresamento dos índios. A trilha dos bandeirantes foi o primeiro
traçado da Estrada Geral, por ali passaram bandeirantes, missionários,
exploradores e estudiosos e por volta de 1793, os tropeiros trazendo
do sul animais para as feiras anuais de Sorocaba. Nos fins do século
18 e ínicio do século 19, a feira de animais de Sorocaba, ponto
de convergência entre os compradores oriundos de todos os pontos
do Brasil, ao norte e os vendedores que vinham do sul, aumentou
tornando-se comércio dos mais prósperos da época. Os animais vinham
do Continente de S.Pedro do Rio Grande (vila fundada em 1737) e
de Montevidéu, Buenos Aires e Entre Rios. Na volta os tropeiros
traziam mantimentos e artigos de consumo. Mercadorias vindas até
da Europa. Saídas dos portos brasileiros, Bahia de Todos os Santos,
Rio de Janeiro e Santos, as mercadorias descarregadas penetravam
em lombo de burro todo o sertão brasileiro. A barganha era comum
e o dinheiro transportado ao vivo. Os tropeiros fizeram a riqueza
do Brasil - Colonial.
1721
"E tudo era sertão indeterminado quando o ouvidor José Pires
Pardinho fixou divisa entre Sorocaba e Curitiba pelo rio ITARARÉ,
marco divisório entre duas vilas" (1821) (Adriano Pimentel
- "Apontamentos Históricos de Itararé")
1745
Barreira de Itararé, local da Gruta, "onde o rio se estreita
e suas margens se unem, a passagem natural se oferece ao viajante,
que do norte dirige-se para as placas do sul". (Aluísio de
Almeida, historiador - "Coleção Felix Pacheco, Biblioteca Municipal
de São Paulo") no manuscrito "Roteiro que se fez caminho
do sertão que principia na Patrulha onde se acha o curral da Contagem
pegado ao rio do Sino, para entrar, subir a serra e seguir para
Curitiba e São Paulo no ano de 1745". Manuscrito de uma caravana
de tropeiros que após descanso na Morungava, propriedade do Coronel
Jordão do Canto Silva, prossegue: "Paramos à borda deste Itararé
, muito caudaloso, muito feio, vem sempre por debaixo das pedras,
muito perigoso de passar".
1776
Os Campos de São Pedro foram pela primeira vez referidos no documento
oficial (História dos costumes de São Paulo, arquivo do Estado),
no qual se fala das "Fazendas de São Pedro e Morungava",
quando se estabeleceram na região os trânsitos e pousos para seguir
e tomar na capitania de São Paulo." Cada companhia de Cavallaria
de Voluntários Reais" deveria seguir aos poucos estabelecimentos
do sul, e que assim ficavam determinados: do porto de Itapetininga
à Pescaria da Pescaria à Paranapitanga; de Paranapitanga ao Sítio
do Rio Apiay, dali à fazenda da Escaramussa, desta ao Sítio do Tanquary,
deste ao Sítio de Pirituba e do Sítio de Pirituba à Fazenda São
Pedro; desta ao Sítio de Jaguariaiva e dali até a Fazenda da Cinza,
até o sul ("História dos Costumes de São Paulo" Vol 84.
Departamento de arquivo do Estado)
A ORGANIZAÇÃO DA VIDA NOS CAMPOS DE SÃO PEDRO
1725 - Sesmarias
Teve inicio com a doação de 3 sesmarias, situadas entre o rio
Verde e o Itararé, com propósito de povoamento e desenvolvimento
da agricultura e criação (1725). A primeira foi outogada em 30 de
abril de 1725, a Luiz Pedroso de Barros, morador de Santana do Parnaíba,
a Segunda também a ele foi concedida em 9 de dezembro de 1725. A
terceira foi outorgada a D. Maria de Almeida Leite, moradora da
vila de Sorocaba, tendo ela delegado poderes aos suplicantes (Baltazar
e Inácio de Almeida Leite e Inácio Rodrigues de São Paulo, da vila
de Faxina (hoje Itapeva), moradores dos Campos de S. Pedro) ("De
volta às raízes" Eunice Tatit)
1836
As 3 sesmarias foram vendidas a um só proprietário, o Brigadeiro
Rafael Tobias Aguiar e sua esposa Domitila de Castro Canto e Melo
Aguiar ( a marquesa de Santos) que somente em 27 de março de 1855
registraram a propriedade como "Fazenda São Pedro", no
cartório da paróquia de Itapeva da Faxina, (Livro de registro de
terras da paróquia de Itapeva da Faxina, número 1, fls 2, maço número
1 - Departamento de arquivos do Estado, de conformidade com a lei
nº 601 de 1850 e seu regulamento nº 1318 a 1854).
FAZENDA SÃO PEDRO
1855
Demarcação dos limites da Fazenda de São Pedro (antigas 3 sesmarias)
Fazenda de São Pedro, situada entre o rio Verde e o Itararé, divide
com a Pirituba pelo rio Verde até a barra do ribeirão da Vaca, por
este acima até ao Capão do "Curral Velho", e dali em diante,
em linha reta até o Itambé, e pelo sertão serve de limite rumo aberto
e medido juridicamente em 1847.
1869
Aos 20 de setembro de 1869, os herdeiros do Brigadeiro Tobias
de Aguiar venderam a Fazenda de São Pedro a José Custódio Camargo
(escritura lavrada nas notas do tabelião Joaquim José Gomes, do
2º ofício da cidade de São Paulo, livro nº 59, fls 143 e seguintes)
Com a morte deste, a viúva Maria Joaquina de Almeida Mello recebeu
a Fazenda São Pedro e na sua meação partilhou-a com seus filhos
e netos, por adiantamento da legitima, antes mesmo da homologação
da partilha, que se deu em novembro de 1883 (autos do inventário),
2º ofício que se deu na cidade de Faxina.
1877
Um dos herdeiros, Capitão Josias de Almeida Camargo, vendeu sua
parte de D. Maria Jesuina Carneiro de Camargo da Silva Lobo (filha
do Coronel Luciano Carneiro Lobo, capitão-mor da capitania de jaguariaiva)
e aos filhos desta, Dr. Fortunato José Camargo e Coronel Licíno
Carneiro Camargo.
1879
Um dos herdeiros, o Coronel Licínio Carneiro de Camargo faz uma
doação de terras no valor de 700,00 (setecentos mil réis) para a
construção de uma capela no núcleo populacional existente dentro
da fazenda, onde já fora aldeamento dos Guaianazes, pouso de tropeiros,
às margens do riacho da "Prata", num local chamado "Rondinha".
Estava a povoação desmembrada da Fazenda de São Pedro e fora elevada
a povoado. Primeiras informações sobre tal núcleo populacional (Aldeia).
O naturalista e historiador francês, August de Saint-Hilaire,
ao passar por esta região da antiga capitania de São Paulo a caminho
do sul, registrou aqui a presença de uma pequena aldeia de nome
ITARARÉ. "A aldeia de Itararé tem o mesmo nome do rio que passa
em sua vizinhança e se compõe de alguns miseráveis casebres, muito
pequenos, extremamente baixos, construídos de terra e ripas cruzadas
(pau a pique) e em cujo madeiramento não foram empregados nem cavilhas,
nem pregos, os arcabouços das coberturas eram sustentados por 4
estacas terminadas em forca, todas essas cabanas localizavam-se
no hoje Bairro-Velho, também conhecido por Santa Cruz, ao lado da
estrada velha de Curitiba. Saint Hilaire descreve também o rio Itararé
na sua confluência com o pequeno rio da Barra - "O pequeno
rio da Barra chega ao vale por sobre um leito de pedras chatas e
após pequenos saltos precipita-se de considerável altura sobre o
Itararé. Abaixo dessa cascata, o Itararé deriva por uma profunda
escarpa, desaparecendo dos olhos do observador. Nesse ponto os rochedos
que o margeiam se aproximam, recobrem-no, deixando perceber uma
fenda de pouca largura. Entretando em meio as pastagens, as sinuosidades
do rio são facilmente reconhecidas, pois são desenhadas pelo verde
escuro dos arbustos e pequenas árvores que emergem das rochas talhadas
a pique nas bordas da escarpa. Só ao fim de uma légua é que se começa
a avistar novamente o rio Itararé, a princípio com uma largura de
6 a 7 decímetros e depois repentinamente espalhada por um leito
de 6 a 7 metros de largura, presos ainda entre os rochedos a pique,
entre os quais cresce um grande número de arbustos. No ponto em
que o rio reaparece, um regato cuja água é bebida na aldeia, vai
desaguar, formando uma linda cascata que se precipita do alto dos
rochedos entre árvores, moitas e arbustos" ("Viagem à
província de São Paulo - August Saint Hilaire, fls 300 e 301) refere-se
ainda a existência de índios nas matas vizinhas de Itararé e Jaguariaiva,
tendo por vezes destruído fazendas próximas dessas matas."
Esses índios-guanhanãs (tribos bárbaros que infestaram os sertões
de Itapeva), como eram chamados, levam o nome de Guaianazes, dado
por Fernão Dias Paes que percorreu os sertões vizinhos do Tibagi
aprisionando grande número de indigenas" (Baltazar da Silva
Lisboa). Essa informação foi confirmada por Barão de Antonina, proprietário
da Fazenda Pirituba e pelo Coronel Luciano Carneiro Lobo, Capitão-mor
da província de São Paulo" - Dep. De arquivo do Estado-SP).
1827
"O célebre pintor francês Jean Baptiste Debret", cuja
contribuição para o documentário da antiga Quinta comarca de São
Paulo ( Villa de Curitiba) foi de grande importância para sua história
e sua arte. Suas telas permitem reconstruir o seu roteiro de andanças
pelo Estado do Paraná." - Seguindo a estrada sescentista que
Saint-Hilaire utilizara em grande parte poucos anos antes: Itapeva,
Itararé, Jaguariaiva, Castro, Ponta Grossa, Palmeira, Curitiba,
Paranaguá e Guaratuba. Uma aquarela de Debret mostra a ponte sobre
o rio Itararé (do livro "Jean Baptiste Debret", ilustrado
e de autoria do historiador J.F. de Almeida Padro, edição da Companhia
Editora Nacional e Editora da Universidade de São Paulo-1978) -
Diz o texto: "A cerca de um quarto de légua do vilarejo encontra-se
o rio Itararé. Pequena ponte de madeira foi construída sobre a furna
ao fundo da qual corre o rio. São 20 metros de profundidade. Para
cruzá-la as bestas eram forçadas a descer uma a uma, cabresteadas
por seus condutores, por grandes degraus de pedras achatadas e de
alturas variáveis constituindo verdadeiras escadarias".
1869
Ao tempo do 2º proprietário (José Custódio de Camargo) em 1869,
na fazenda de São Pedro havia um pequeno povoado à margem do córrego
da "Prata" e à direita da estrada de rodagem-Estrada Geral,
que naquele tempo seguia para as regiões do sul - campos do sertão
do caminho da "Villa de Curitiba". Esse local tem hoje
o nome de "Bairro Velho"e integra a cidade que se formou
mais ou menos a sua frente, no espigão da margem direita do córrego
da "Prata" - no local chamado "Rondinha".
Trajetória Histórica e Política de Itararé nos seus primeiros
tempos:
Setembro 1879 - Povoado
Janeiro 1891 - Curato
Março 1885 - Freguesia (dia 10)
Fevereiro 1891 - Distrito de Paz (dia3)
Agosto 1893 - Município (dia 28)
Dezembro 1897 - Paróquia (dia 8)
Setembro 1901 - Cidade sede (dia 7)
Dezembro 1922 - Comarca (dia 8)
MUNICÍPIO
1893
A lei nº 197, de 28 de agosto de 1893, decretada pelo congresso
legislativo do estado de São Paulo, referendada pelo secretário
de Estado dos Negócios do Interior, Dr. Cesário Mota, cria o Município
de São Pedro de Itararé, sendo mantidas as mesmas divisas do Distrito
de Paz, a não ser do lado de Faxina (rio verde) A criação do Município
trouxe a emancipação política de Itararé, que se desvinculou do
Município (de Itapeva) da Faxina e passou a ter autonomia de governo.
Contribuiu para essa conquista o desenvolvimento da Vila de São
Pedro, que em 1893 contava com cerca de 10.000 (dez mil) habitantes,
agricultura próspera (1.000.000) um milhão de pés de café, boa situação
físico-geográfica, solo exuberante e seus homens que acharam ser
chegada a hora da autonomia política e administrativa. O Coronel
Crecêncio, prefeito de Itapeva, também trabalhou por essa conquista.
O patrimônio territorial também fora acrescido de mais 3 doadores
de terras em 1889 (dez anos depois da primeira doação). E foram
feitas pelo Coronel Frutuoso Bueno Pimentel, Major João de Almeida
Queiroz, Antonio e Vicente Galvão Pinheiro, que incorporadas às
primeiras passavam a constituir o patrimônio da municipalidade que
o comprou da capela de Nossa Senhora da Conceição, por intermédio
da Cúria, por 1.500.000 ( um conto e quinhentos mil réis) (escritura
lavrada em 19 de novembro de 1894) Mais tarde o município comprou
do Major João de Almeida Queiroz, no valor de 3.000$000 (três contos
de réis) uma parte ideal pela avaliação da Fazenda de São Pedro
no inventário de José Custódio de Camargo (escritura, outubro de
1894) Esse patrimônio foi demarcado no processo de divisão judicial
da fazenda de São Pedro que correu pelo cartório de 2º ofício da
comarca de Faxina em 1917 e 1918 fls. 4.428, vol 13 dos respectivos
autos. Que se acham no tribunal de apelação desses Estado(cart.2º
ofício, embargos nº 11250, de Faxina - embargante: Dr. Herculano
Pimentel - Embargados: Balbina Branco de Camargo e filhos (Adriano
Pimentel - Obra citada).
1ª Eleição da Câmara Municipal
1893
A 31 de outubro desse ano realizou-se na residência de D.Maria
de Jesus Carneiro e Mello, viúva do Tenente Gaudêncio Cristovam
Machado, 2º coletor da Barreira de Itararé (em substituição ao Major
Queiroz) e que viera de Castro com a família. A mesa foi presidida
pelo Major e Juíz de Paz, José de souza Camargo. Foram eleitos para
compor a 1ª câmara:
Coronel Frutuoso Bueno Pimentel - Presidente - (fazendeiro)
Brotero José de Almeida - Vice e Intendente
Antonio de Amaral Camargo - (comerciante) - Vereador
Manoel Caetano Martins - (fazendeiro) - Vereador
Horonato Fiuza de Carvalho - (comerciante) - Vereador
Thomé Dias Batista - (comerciante) - Vereador
PARÓQUIA
1897
Itararé foi elevada a paróquia de Nossa Senhora de Conceição.
COMARCA
1922
Pela lei nº 1887, de 8 de dezembro de 1922, do presidente do
Estado Dr. Washington Luís, trabalho sobretudo do então líder político
da região sul do Estado, presidente do diretório do P.R.P e da Camâra
Municipal de Itararé. Coronel Joaquim Ferreira Lobo Nenê Sobrinho.
A cerimônia de instalaçào deu-se a 26 de fevereiro de 1923 ( O Croronel
Nenê Sobrinho reeleito presidente da Camâra) O mandato era de 3
anos (triênio) e o intendente era nomeado pela Câmara entre os vereadores
eleitos. Só no 6º mandato ou triênio surgiu a palavra prefeito (1908
á 1911), eleito entre os vereadores em sessão da Câmara anualmente.
O 1º prefeito foi João Mariano Ribas (1908/1909) e o segundo, no
mesmo triênio, foi o Major José de Souza Camargo (1909/1911).
Considerações
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